Hoje o sofá da sala quebrou duas ripas de madeira e foi um começo de busca por ferramentas e material para limpar e reformar. O fato acidental é devido aos 132 kg de massa corporal sobre este e a forma de sentar ou até tirar um cochilo. O normal seria pegar um plantão nas lojas especializadas em vender este tipo de porcaria e jogar no meio ambiente este. Comprar outro sem salário e dinheiro é complicado. Este mês não deu para o gasto, ainda não recebi e nem dos projetos em andamento e para ajudar o empregador atual atrasou a promessa de campanha política e não depositou no prazo de um dia.
Bem quanto as ripas saio em busca nas caçambas de lixo na avenida principal da cidade. Quanta genenrosidade dos prédios vizinhos em reformas abundantes de dinheiro e sucatas inservíveis, depois falam muito em crise. Achei logo no primeiro monte de entulho bem na esquina, ainda bem a perna arruinada de trombose resolveu atacar justo hoje é uma dor de pisante em espinhos.
Então ao coletar o raro e caro material percebo a presença de um transeunte, errôneo e etílico pelo teor respiratório e em trajes simples. Pediu ajudar sobre informações de emprego como servente de pedreiro. Como bom conhecedor da cidade e das empresas públicas de agências sociais, demonstrei os endereços ao homem.
Pobre coitado havia saído vagante da delegacia, reclamou da vida pois a sua jornada iniciou-se no nordeste onde trabalhou em várias obras e então a crise abateu-se sobre as empresas de construção e então pegou carona e veio parar aqui no Mato Grosso do Sul.
Ainda disse que estava no início com esperança de um novo emprego, entretanto o centro do migrante deu três dias de repouso e conseguiu em seguida um bico de dois dias em uma obra de reparos em ruas no sol quente. Desistiu recebeu a grana uns R$ 60,00 e foi comemorar nos bares da cidade, como não havia retorno ao albergue municipal dormiu no banco da praça. Deu azar, ficou sem emprego durante uma semana, sem endereço fixo, errante dorme nas praças e durante a noitada foi roubado, levaram sua carteira e todos os documentos. Motivo este levou a delegacia registrar ocorrência, agora sem documentos em pleno dia de finados arranjar um emprego de carteira assinada e sem documentos torna-se um trágico momento na vida deste trabalhador braçal.
Minha surpresa foi após indicar os locais de empregos e as obras, perceber nos olhos a agonia de um trabalhador perdido sem dinheiro e sem conhecer ninguém por aqui, valente nordestino, sem estudos, sem noção de ir e vir e etilíco. Despedi e fui à jornada do sofá quebrado.
Ao entrar em casa ofegante pelas escadas e a massa corporal solicitei ajuda dos parentes e como bons cristãos sairam para acender velas na cruz. Na hora de sentar e quebrar o culpado fui eu, bem então pedi para as filhas ajudarem o papai, a mais nova passou perfumada e com vestido novo e até agora não retornou do passeio com o titio a outra sessão pipoca na casa da vizinha e a mulher reclamou da sujeira, do desmonte e da bagunça antes de começar.
Bom afinal após várias marteladas nos dedos e arranhões nos braços e pernas, consegui um meia boca, as ripas de madeira apoiaram a carcaça de 12 anos de uso. Ainda não sentei no dito cujo e nem pensar por alguns dias, até a raiva passar e esquecer da sujeira.
Fica um questionamento quanto ao fato do transeunte, poderia pagar uns trocados e oferecer um prato de comida, resta a dúvida se conseguiria dar conta de aguentar os discursos e as falas ao redor.
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